A pergunta que fica é: por que o veículo com o vidro quebrado em um bairro nobre passou pelo mesmo processo que o do bairro pobre? Podemos perceber que tudo está relacionado à consciência humana, e não à pobreza em si. O fator determinante é o ambiente criado no local.
As pessoas que passavam por ali pensavam: “Esse carro está parado aí há dias com o vidro quebrado, esse ambiente está abandonado”. Ou seja, isso nos comunica conceitos de desídia, desleixo e negligência, demonstrando que a lei está ausente naquela área.
Com um carro de vidro quebrado, criou-se todo esse ambiente. Um cenário que pode começar apenas como uma simples atitude depredatória, caso não exista nada que a impeça, gera e multiplica o índice de ações desse tipo.
Desordem e desídia na empresa
Com uma perspectiva mais ampla, a teoria se encaixa em vários segmentos dentro de um empreendimento. Se a desídia estiver em alta na empresa, os colaboradores podem estar desempenhando suas atividades com desânimo, atrasos frequentes, faltas injustificadas, desinteresse pela função etc.
A desídia acaba sendo pulsante nos departamentos onde o descuido, a sujeira e a desordem são maiores. Se por alguma razão não se organiza uma prateleira e ninguém repara nisso, muito rapidamente todas as prateleiras estarão desorganizadas.
Se um departamento possui indicadores de indisciplina e esse fato parece não importar a ninguém, isso fatalmente irá gerar um aumento de atos de insubordinação e trará consigo o efeito dominó: perdas, furtos internos, desperdícios, situações antes inexistentes que surgirão com o tempo.
Atentar à desordem e à desídia é necessário porque, aos poucos, elas podem se infiltrar nos diversos departamentos da empresa sem que você perceba, podendo causar o declínio do negócio, com queda das vendas e do desempenho dos colaboradores, virando um ciclo vicioso.
Das menores às grandes desordens
Em outro contexto: se, por exemplo, uma janela de uma fábrica ou escritório fosse quebrada e não fosse consertada, quem por ali passasse e se deparasse com a cena logo concluiria que ninguém se importa com a situação e que naquele local não existe autoridade responsável pela manutenção dos bens da empresa.
Em seguida, as pessoas interessadas deixariam de visitar o empreendimento, relegando o lugar à mercê de gatunos e desordeiros, pois apenas pessoas desocupadas ou imprudentes se sentiriam à vontade para visitar um local cuja decadência se torna evidente.
Por isso a importância de preservar a estrutura interna e externa do negócio: manter a fachada da empresa livre de pichações e cuidar dos componentes de segurança, sensores, câmeras, cercas elétricas etc. Isso nos faz refletir que as menores desordens levariam às grandes desordens.
Em paralelo ao mundo empresarial, no nosso ambiente civil, quando são cometidos pequenos deslizes, como estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar no sinal vermelho, e essas condutas não são sancionadas, logo começam descuidos maiores e delitos cada vez mais graves.
Por exemplo, se admitirmos atitudes dessa natureza como algo normal no desenvolvimento de uma criança, seu padrão de desenvolvimento será de maior inconsequência quando ela se tornar adulta. Ou seja, no mundo empresarial, se uma empresa não sana essas adversidades, acaba sendo leniente com a desorganização e está fadada a sofrer sucessivas perdas no futuro.
Um joio no meio do trigo
Em um departamento em que essa liderança não esteja presente, fatalmente os colaboradores mais desleixados se sentirão livres para não praticar suas atribuições com êxito, além de estimular os demais a trabalhar na mesma sintonia. Um joio no meio do trigo pode influenciar negativamente a equipe, gerando futuros dilemas dentro da organização.
Deixar uma torneira aberta, não desligar as luzes, pequenos furtos (papel, canetas, grampeadores) e utilizar equipamentos sem os devidos cuidados são alguns exemplos de pequenos desvios de conduta profissional.
Tolerância zero com a desordem
Com o entendimento e a aplicabilidade dessa metodologia, poderemos reduzir drasticamente as perdas mais variadas, pois qualquer departamento pode aplicar essa política de tolerância zero com a desordem e a desorganização. Isso pode acontecer em todos os tipos de ambiente: em um simples armário, uma mesa ou um depósito, já se faz presente a teoria das janelas quebradas.
Se pequenas situações como essas não forem contidas, inevitavelmente as condutas desidiosas mais graves irão crescer, já que não houve responsabilização pelos desvios de conduta menos graves.
Implantadas todas essas informações, em qualquer ação futura do negócio, uma contratação, por exemplo, o colaborador já entra em um ambiente propício ao êxito e ciente de como a engrenagem do empreendimento funciona, aumentando as suas chances de sucesso em seu setor, pois a empresa proporcionou o ambiente correto para isso.
Lembrando que não se deve dar ênfase de rigidez policial ou autoritarismo ao conteúdo aqui exposto, e sim alinhar todos os astros para que o seu negócio alcance seus objetivos e metas de sucesso.