Neste final de semana, conversando com um grande amigo de infância, ele questionou:
“Por que tudo que é tão bom normalmente é tão caro, né? Esse vinho que estamos bebendo, por exemplo, algo tão simples.”
Eu disse: a visão sobre isso é complexa, pois qualquer coisa que é produzida, como esse vinho que estamos tomando, custou x reais, mas o valor que foi pago, independentemente do preço, impacta a vida de milhares de pessoas. Tudo que pagamos, pagamos pela história, pelas pessoas que fizeram esse produto acontecer. Imagine a produção “simples” desse vinho:
Primeiro, tem as pessoas que fazem um estudo profundo do solo, que o preparam; aí, então, elas precisam dizer se o solo é bom para a uva cabernet sauvignon, por exemplo.
Tem as pessoas que colhem, que pegam as uvas; depois, tem a produção: alguém olhando para uma mesa de verificação, para garantir que nada do que chamam de “corpo estranho” esteja junto com as uvas, garantindo que nada além das uvas virará vinho.
Depois, tem o time que guia as uvas e o suco durante o processo de criação do vinho. Aí tem as pessoas que produzem os barris, e, se você for até a tanoaria, vai ver que há várias funções associadas apenas à fabricação desses barris. Sem falar nos encarregados de garantir que a madeira foi tratada da forma correta, etc.
Então, se tudo chegou bem até a vinícola, agora é preciso mais uma equipe para colocar os vinhos nos barris, e ainda tem a pessoa que precisa saber qual é a hora certa de o vinho sair desse barril e, então, ir para a garrafa.
Sem contar a equipe que cria o rótulo, que cria o design da garrafa, as pessoas que vão garantir que as rolhas estão boas para serem utilizadas, que colocarão as garrafas nas caixas, que estarão envolvidas com o transporte até o depósito…
Portanto, quando falamos com o sommelier, até o momento de a rolha ser sacada, eu diria que centenas de mãos foram envolvidas no processo para que pudéssemos beber esse vinho.
Conclusão? Para algo se tornar simples aos nossos olhos, pode ter certeza de que teve alguém por trás descomplicando tudo. Precisamos praticar um olhar mais profundo e menos superficial sobre as coisas. Isso serve tanto para negócios quanto para pessoas.