A verdade é que ela não atrai qualquer atenção para si, nem precisa de qualquer prêmio ou gratidão. É modesta, e sem essa “modesta” contribuição da água, a vida como conhecemos poderia não existir. Sua humildade me ensinou algumas coisas importantes.
- Me ensinou que, em vez de agir como se soubesse o que fazer ou como se tivesse todas as respostas, está tudo bem em dizer: não sei, quero aprender mais e preciso de alguma ajuda.
- Também me ensinou que, em vez de promover minhas glórias e sucessos, promover as de outros gera uma satisfação muito maior.
- Ensinou que, em vez de fazer coisas para que eu possa seguir adiante, é muito mais compensador e significativo ajudar outros a superarem seus desafios e serem vitoriosos também.
Com a mentalidade humilde, consegui estabelecer conexões mais enriquecedoras ao meu redor, me tornei genuinamente interessado em histórias e experiências, no que as faz únicas e mágicas, e comecei a descobrir novos conceitos e novas soluções para problemas antes desconhecidos.
Harmonia
A segunda é harmonia. Se pensarmos na água fluindo em direção a uma rocha, ela irá fluir apenas ao seu redor. Ela não fica chateada, não fica com raiva, não fica agitada.
Ao confrontar um obstáculo, a água encontra a solução de alguma forma, sem força, sem conflito algum.
Pensando nisso, comecei a entender por que às vezes me sentia estressado: em vez de lidar com harmonia no meu ambiente, eu estava trabalhando contra ele, estava forçando mudanças por ter sido consumido pela necessidade de sucesso, de provar algo a mim mesmo ou para a sociedade. No final, nem uma coisa nem outra, e isso me frustrava ainda mais.
Quando mudei meu foco para alcançar mais harmonia em vez de buscar mais sucesso, me senti imediatamente calmo e focado novamente. Comecei a me perguntar: essa ação trará maior harmonia para mim? Para o meu ambiente? Tudo se alinha com a minha natureza?
Me senti mais seguro simplesmente sendo quem eu sou, em vez de quem eu supostamente devesse ou esperasse ser. O trabalho ficou mais fácil, porque parei de focar nas coisas que não posso controlar e foquei somente nas que posso.
Parei de lutar comigo mesmo e aprendi a trabalhar com meu ambiente para resolver os problemas dele, pois a natureza não tem pressa e ainda assim tudo é solucionado. Assim como a água pode encontrar a solução sem força ou conflito, acredito que possamos encontrar maior senso de satisfação em nossos esforços focando em atingir mais harmonia.
Transparência
A terceira lição que aprendi foi sobre transparência. A água está aberta a mudanças: dependendo da temperatura, ela pode ser líquida, sólida ou gasosa. Dependendo do meio em que está, ela se molda, pode ser em um bule, um copo ou um jarro.
Tem o incrível poder de se adaptar, de mudar, de ser flexível, e tudo isso foi o que a tornou duradoura através dos anos, apesar de todas as mudanças nos ambientes existentes no planeta.
E nós também vivemos hoje em um mundo de constantes mudanças. As pessoas esperam de nós constantes mudanças, precisamos nos reinventar e atualizar nossas habilidades para permanecermos relevantes no nosso ambiente.
Lidando com algumas pessoas, com equipes de empresas, comecei a perceber que as pessoas que cresciam mais na carreira, e mais rapidamente, não eram aquelas com maior experiência, mas sim as que estavam mais abertas a aprender e a desaprender, abertas a auxiliar uma à outra, a navegar no desconhecido e crescer com isso. De alguma forma, a vida é assim também: a vida nos convoca a nos posicionarmos, a nos abrirmos.
O que a água faria?
Humildade, harmonia e transparência. Então, sempre que me sinto estressado, insatisfeito, ansioso, ou apenas sem saber o que fazer, simplesmente me pergunto: o que a água faria?