Antes, quem vai constelar faz uma entrevista com o facilitador, na qual expõe as questões que o incomodam. Então, juntos, os dois definem os elementos que precisam ser representados, que podem ser pessoas ou coisas. Posteriormente, algumas soluções aparecem.
De Virginia Satir a Bert Hellinger
Tudo isso foi estudado nos anos 1970 pela psicoterapeuta norte-americana Virginia Satir, conhecida no meio executivo graças ao modelo de mudança que leva seu sobrenome. Ela criou o método da “escultura familiar”, em que uma pessoa desconhecida, convocada a representar um membro da família, passava a se comportar exatamente como a pessoa representada. Satir inspirou Hellinger e, mais tarde, a biologia e a neurociência iriam propor algumas explicações para tudo isso.
O fato é que Hellinger fez uma descoberta durante uma missão católica na África do Sul que mudaria muitas vidas: os padrões de comportamento se repetem nas famílias, até em gerações distintas. Então, estudou o tema mais a fundo, sob várias perspectivas, incluindo a da fenomenologia, linha filosófica que diz que o importante é a vivência da qual uma pessoa tem consciência, porque essa é a realidade para ela, não importando se corresponde mesmo ao mundo exterior.
Uma importante influência para que Hellinger desenvolvesse essa ideia foi o trabalho do biólogo Rupert Sheldrake, que explica que cada ser vivo, coisa ou comportamento gera um campo mórfico que conduz informações, algo que ele testou em experimentos com cupins, ratos e pessoas. (Mais tarde, sobreveio a ideia de que os neurônios-espelho do nosso cérebro são capazes de assimilar essas informações.)
As três leis de Hellinger
Assim, Hellinger acreditou ter encontrado três leis que, quando desobedecidas, podem causar problemas, os chamados “emaranhados”, nos sistemas, sejam eles pessoais ou profissionais:
- Lei do pertencimento: ninguém pode ser excluído.
- Lei da ordem de chegada: é preciso respeitar e honrar quem veio primeiro.
- Lei do equilíbrio de troca: sempre que alguém der ou receber mais do que o outro, o sistema será disfuncional.
Hellinger ainda identificou outros padrões sistêmicos. Por exemplo: quando há rupturas em relação ao pai, perdem-se força e persistência; em relação à mãe, perde-se prosperidade.
O CEO da empresa de reciclagem
Para compreender melhor esse assunto na prática, vou contar uma história.
Havia dois anos que o fundador e CEO de uma empresa de reciclagem vinha se preparando para abrir o capital na bolsa de valores. A oferta pública de ações (IPO) havia sido recomendada por especialistas e estava bem encaminhada, mas ele sentia dores e mal-estar o tempo todo.
Quando soube de um curso sobre constelação sistêmica para 700 pessoas na China (seu país de origem), esse empresário quis participar. Durante o curso, o professor e facilitador escolheu-o para ser constelado. Pessoas da plateia foram chamadas (e tocadas nos ombros) pelo chinês para representar, sem saber, a bolsa de valores, a empresa e os funcionários.
O produto (o indivíduo que o interpretava) ficou de costas para a bolsa de valores, os funcionários se afastaram dela e a empresa evitou olhá-la. Vendo tudo de uma cadeira, o CEO deu um soco no ar e gritou: “Não preciso saber mais nada!”.
Uma ferramenta para os problemas do dia a dia
Você pode achar tudo isso estranho, e sem dúvida é. O fato é que a constelação sistêmica vem sendo utilizada com maior frequência nos dias atuais e é uma ferramenta que podemos experimentar para tentar achar soluções para os nossos problemas do dia a dia.