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Estoicismo nos negócios: o que Zenão, Epicteto e Marco Aurélio ensinam sobre decidir em crise (e a metade que o mercado cortou)

Estoicismo nos negócios: o que Zenão, Epicteto e Marco Aurélio ensinam sobre decidir em crise (e a metade que o mercado cortou)

Zenão de Cítio criou, por volta de 300 antes de Cristo, a filosofia que hoje está na base da terapia cognitivo-comportamental, do paradoxo de Stockdale que Jim Collins levou aos livros de gestão e de uma prateleira inteira de autoajuda para executivos. Ele era um comerciante fenício, nascido em Chipre, que perdeu uma carga de púrpura num naufrágio a caminho de Atenas e decidiu ensinar numa galeria coberta da ágora, o Pórtico Pintado. Os alunos viraram “os do pórtico”. Os estoicos.

O problema é que o estoicismo nasceu prometendo duas coisas ao mesmo tempo: que o único bem verdadeiro é o que depende de você, e que você tem um dever inegociável com os outros. O mercado comprou a primeira metade e descartou a segunda. Entender essa diferença vale mais do que qualquer frase de Marco Aurélio em slide de apresentação.

Quem foi Zenão de Cítio e o que a escola estoica ensinava

Segundo Diógenes Laércio, biógrafo antigo e quase única fonte sobre o início da escola, Zenão leu uma descrição de Sócrates numa livraria de Atenas e foi apresentado a Crates, filósofo da escola cínica, que pregava largar tudo e viver com quase nada. Zenão ficou com a espinha dorsal ética dos cínicos (só a virtude é um bem) e rejeitou o resto: em vez de abandonar a cidade, ensinou no meio dela. Um cuidado com a lenda. Laércio registra que Zenão chegou à Grécia com mais de mil talentos e emprestava a juros. Perdeu a carga, não era um miserável. Trate o naufrágio como tradição, não como documento.

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